sexta-feira, 5 de setembro de 2008

04/09: Ibovepa - Recessão na Europa derruba as bolsas ao redor do globo

Novos sinais de que um processo recessivo ameaça não somente a economia dos EUA mas também a de países europeus arruinaram os mercados nesta quinta-feira e trouxeram mau agouro para o payroll de agosto, que sai amanhã. As bolsas amargaram perdas ao redor de 3% nos EUA e na Europa, enquanto a Bovespa derreteu quase 4%, para o menor nível de pontuação em mais de um ano. A aversão ao risco que detonou as ações provocou corrida aos Treasuries, derrubando os juros dos títulos do Tesouro americano. Motivos para acreditar que as principais economias do globo perdem fôlego de forma preocupante não faltaram: os preços das commodities acentuaram o recuo, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA teve a maior alta das últimas cinco semanas e os custos da mão-de-obra norte-americana foram revistos para uma queda maior do que a prevista no segundo trimestre. Ainda, na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) - que manteve o juro básico em 4,25%, como previsto - revisou para baixo suas projeções de crescimento para a zona do euro neste e no próximo ano, o que acabou enfraquecendo a moeda européia. O dólar local chegou a bater a marca de R$ 1,72, mas fechou a R$ 1,719, a maior taxa desde abril. Nos juros, o movimento de stop loss pressionou fortemente as taxas, sobre as quais pesou, também, o leilão do Tesouro.

A bolsa recuou 3,96%, na terceira maior queda do ano (atrás dos -6,6% de 21 de janeiro e dos 5,01% de 19 de março), aos 51.408,5 pontos, menor pontuação desde os 49.815,1 pontos de 21 de agosto do ano passado. Com o resultado de hoje, as perdas em setembro atingiram 7,67% e, em 2008, aumentaram para -19,53%. O volume engordou um pouco mais e totalizou R$ 5,217 bilhões.

Os investidores perceberam logo cedo o dia que se aventava pela frente, quando receberam a notícia de que as encomendas à indústria na Alemanha caíram em julho pelo oitavo mês consecutivo por causa da fraqueza na demanda doméstica. O dado foi amplificado pelas revisões, para baixo, feitas pelo Banco Central Europeu para o PIB da zona do euro. Agora, a autoridade monetária da região prevê alta entre 1,1% e 1,7%, ante estimativa de 1,5% a 2,1% feita anteriormente para o ano. O número de 2009 também foi rebaixado: a expansão é estimada entre 0,6% e 1,8%, de previsão anterior de 1,0% a 2,0%.

O Dow Jones cedeu 2,99%, aos 11.188,2 pontos, o S&P recuou 2,99%, aos 1.236,82 pontos, e a Nasdaq encerrou na mínima, em baixa de 3,20%, aos 2.259,04 pontos. Na Europa, as perdas também giraram acima de 2%: o índice FT-100, da Bolsa de Londres, perdeu - 2,50%, aos 5362,10 pontos, o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, - 3,22%, para 4304,01 pontos, o índice Xetra-Dax, da Bolsa de Frankfurt, - 2,91%, para 6279,57 pontos. Tanto o BCE quanto o Banco da Inglaterra mantiveram suas taxas de juros inalteradas, em 4,25% e 5%, respectivamente, sinalizando crescentes preocupações com relação ao crescimento econômico.

Amanhã será divulgado o payroll as 9:30 da manhã e será o indicador mais importante do dia e irá ditar o ritmo dos negócios.

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