quarta-feira, 22 de outubro de 2008

22/10 (Manhã) MILHO: MT PREVÊ REDUÇÃO DE MAIS DE 25% NA ÁREA DA SAFRINHA

A redução na área plantada com milho safrinha em 2009 deve superar os 25% já estimados no Mato Grosso se o acesso ao crédito continuar difícil e a comercialização se restringir ao mercado interno, a preços menos favoráveis. A avaliação foi feita ontem pelo superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paludo, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. O Mato Grosso é o Estado que cultiva a maior área com milho segunda safra. Neste ano, foram 1.656 mil hectares, contra 1.518 mil hectares do Paraná. Segundo Paludo, em agosto o Imea já previa uma queda de 25% na área da safrinha 2009 por conta do aumento do custo de produção - de 50% - e dos preços menos remuneradores do milho neste segundo semestre. Neste ano, as exportações não devem chegar a 50% do que o Brasil embarcou para o exterior no ano passado, e os estoques do produto têm pressionado as cotações. "O milho safrinha ainda é uma incógnita, mas se o cenário não mudar no curto prazo a redução de área pode ser ainda maior", afirmou Paludo. Ele se referia à restrição de financiamento para o plantio, com a interrupção nas operações de troca por insumos. O mercado deve ter uma idéia melhor sobre a safrinha no Mato Grosso a partir de novembro, quando os agricultores iniciam o planejamento do plantio, que começa no final de janeiro. O superintendente do Imea disse que há "um grande volume" de milho no Estado. Na última safra, os produtores do Estado colheram 77 sacas por hectare - "a maior produtividade da história" - ante 64/66 sacas por hectare até então. Sem exportações para enxugar o excedente de oferta, o governo tem sido, segundo ele, "extremamente feliz" nas operações de apoio à comercialização. "Se não fosse o governo a questão seria pior ainda e a redução poderia ser maior", disse. Hoje, o governo realiza mais dois leilões de milho no Mato Grosso. No leilão de prêmio de risco (Prop), incentivo dado ao setor privado para a transferência do produto para o Nordeste, norte de Minas Gerais e Espírito Santo, serão ofertados 2 mil contratos de 27 toneladas. No leilão de contratos de opção, no qual o comprador é o próprio governo, a oferta será de 11.111 contratos. Em ambas a operação, o produtor receberá R$ 14,52/saca pelo milho. No mercado local, os preços variam de R$ 11/saca em Sapezal, R$ 12/saca em Sorriso e Lucas e R$ 13/saca em Rondonópolis. Os negócios são feitos da mão para a boca, pois os consumidores esperam preços mais baixos quando a necessidade de esvaziar armazéns ou fazer caixa levar ao mercado um maior número de vendedores. Com o ritmo lento dos negócios, o destaque na tarde de segunda-feira e ontem foi a presença de exportadores no mercado. Segundo corretores, tradings pagaram R$ 19,30/saca no interior do Paraná no final da tarde de ontem e R$ 20,50/saca no porto nesta terça-feira. Apesar da alta do dólar nesta terça-feira - 5,62%, fechando a R$ 2,23 - nada indica que a exportação ganhe volume nos próximos dias. Depois de breve recuperação, os preços futuros do milho voltaram a cair na Bolsa de Chicago. Independente dos preços fechados nos contratos para exportação, a maioria dos vendedores segue pedindo R$ 19/saca no norte e oeste paranaense e R$ 21/saca na região dos Campos Gerais.
Futuros fecham em queda na Bolsa de Chicago
Os contratos do milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda nesta terça-feira. O dia foi negativo também para as outras commodities, influência direta do mercado financeiro e do petróleo. Analistas disseram à Dow Jones que o mercado do milho continua influenciado por fatores externos, mas o clima nos Estados Unidos começa a ser observado mais atentamente. Segundo apurou a agência de notícias, o tempo úmido no cinturão do milho pode atrasar os trabalhos de colheita e oferecer suporte ao mercado. Há possibilidade de neve no Estado de Nebraska para os próximos dias. O contrato do milho com vencimento em dezembro fechou com queda de 7,50 cents, a US$ 4,11 por bushel.

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