terça-feira, 7 de outubro de 2008

06/10: Ibovespa – O dia do Circuit Breaker

O consenso que não somente os EUA entrarão em crise, mas o mundo todo gerou uma onda de desespero que culminou com perdas mais do que expressivas em todas as bolsas no mundo. Somente na Bovespa o circuit breaker foi acionado por duas vezes, uma quando o mercado atingiu 10% de queda e a segunda quando bateu 15% de baixa. Foi a terceira vez na história da Bovespa em que os negócios tiveram de ser interrompidos no pregão regular por uma hora em razão de queda acentuada do índice. A primeira vez foi em 28 de outubro de 1997 e a segunda, em 10 de setembro de 1998, quando o sistema também foi acionado duas vezes.
Nesse contexto, a Bolsa estabeleceu excepcionalmente um novo limite de baixa para o circuit breaker, que seria acionado se caísse 20%. Nesse caso, as negociações seriam suspensas até as 16h30, de forma que ocorreriam 30 minutos de negociação sem regra de acionamento do circuit breaker até as 17 horas. Para alívio de grande parte do mercado, isso não aconteceu. Pelo contrário, com a ajuda de suas pares norte-americanas, a Bovespa encerrou a jornada longe das mínimas do dia, que tanto estressaram os investidores.
O Ibovespa terminou em baixa de 5,43% aos 42.100,79 pontos. Na mínima, contudo, o bovespa chegou a registrar queda de 15,50%, aos 37.617 pontos - níveis de dois anos atrás. Na máxima, alcançou 44.502 pontos, com leve baixa de 0,03%. O volume financeiro hoje totalizou R$ 5,27 bilhões. No mês de outubro, o Ibovespa já acumula uma perda de 15%, e no ano, -34,10%.
Decisões do governo alemão ontem evidenciaram quão séria a crise já está na região. A chanceler alemã Angela Merkel anunciou que o governo irá garantir os depósitos individuais. Irlanda e Grécia já haviam tomado medida nesse sentido na semana passada. O governo alemão também intermediou uma nova operação de resgate do banco de financiamento imobiliário comercial Hypo Real Estate, com participação de um grupo de bancos e seguradoras. Os recursos envolvidos subiram para US$ 68 bilhões, de US$ 49 bilhões que se estudava antes.
Mas o noticiário europeu não parou por aí. O BNP Paribas, maior banco francês, concordou em adquirir vários ativos da belgo-holandesa Fortis na Bélgica por US$ 14,5 bilhões de euros (US$ 19,67 bilhões). Na Holanda, as autoridades reguladoras anunciaram que não permitirão mais posições vendidas em ações financeiras. Na Itália, o segundo maior banco do país, o Unicredit, realizou ontem à tarde encontro de emergência para decidir como fortalecer a posição financeira da instituição.
Dos EUA, o Citigroup entrou com uma ação judicial contra os bancos Wachovia e Wells Fargo e seus diretores em que pede pelo menos US$ 60 bilhões em compensações pelo acordo fechado por estas duas instituições na sexta-feira. Na segunda-feira passada, o Citi fechou um acordo preliminar para comprar as operações bancárias do Wachovia por US$ 2,16 bilhões. Na sexta-feira, contudo, o Wells Fargo surpreendeu com o anúncio de US$ 15,1 bilhões para adquirir todas as operações do Wachovia.
Na Ásia, o índice Hang Seng perdeu 5% em Hong Kong e fechou aos 16.803,76 pontos, na menor pontuação desde 26 de julho de 2006. Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei 225 encolheu 4,3%, e fechou aos 10.473,09 pontos - o menor nível de fechamento desde fevereiro de 2004. Na Europa, o londrino FTSE 100 caiu 7,85%, a 4.589,1 pontos, menor nível em quatro anos. O CAC-40, de Paris, perdeu 9,04%, a 3.711,98 pontos, menor patamar desde novembro de 2004.
Em Wall Street, o clima não foi diferente, com as bolsas também registrando fortes perdas. Na mínima, o Dow Jones chegou a cair 7,75%, aos 9.525,32 pontos; e o S&P-500, -8,30%, aos 1.007,97 pontos. A queda 800 pontos durante o dia foi a maior baixa intraday do Dow de todos os tempos. Próximo do final das operações, contudo, os índices mostraram recuperação, reduzindo as quedas e beneficiando a Bovespa.
O Dow fechou com queda de 3,58% (9.955,50 pontos) e o S&P-500 com recuo de 3,85% (1.056,89 pontos). A recuperação, na última hora do pregão, foi atribuída ao sentimento de que o Federal Reserve reduzirá agressivamente as taxas de juro de curto prazo, talvez antes mesmo da reunião regular marcada para 28 e 29 de outubro.
Diante do cenário atual, não resta muita coisa a fazer. Contudo, a agenda financeira é a única alternativa para traçar o que pode acontecer com o mercado.

Nenhum comentário: